Colaboradores

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Prazer, sou Toni Bianco






Ao lado do Bólido estava um senhor muito distinto: Sotaque de Italiano radicado na Móoca : -"Paolo, cuidado con mio figlio"
E que gesticulava com um guarda chuvas, orientando o mecânico, Marcos Horst, para aprontar logo o brinquedo.
Era muito presente para um só dia: Ver um festival de recordes, na beira da pista, ver a recriação do Carcará, e ainda conhecer o grande Toni Bianco. "O Maurício está aprontando isto comigo, só pode ser..."

Pai e Tio da criatura aprontam todos os detalhes... - "Lá vai o Carcará II..."

O resultado da empreitada todo mundo já sabe...

sábado, 19 de setembro de 2009

A segunda porta do paraíso


Rapidamente cai a ficha. E fica no ar a curiosa coincidência: O Alemão dizia pra todo mundo que possuia o "motor do Carcará". Folclore? E agora, me cai de páraquedas o Carcará 2??? Seria uma conspiração Mauriceana? -"Raios! Preciso ir lá ver!" Ligo novamente para o amigo da restauração do Copersucar, que sugere que eu vá fotografar para o site dele.
São José dos Campos fica próximo. Mesmo com chuva, vesti-me de impermeável e sentei na motocicleta. Ao sair, cedinho, ainda escutei em casa "Tudo isto por causa de um carro?"- "Não, não, elas não nos entendem mesmo" - pensei...

Evento fechado. Auto Union Clube do Brasil. O burro não havia se credenciado antes. Eduardo Pessoa de Melo, velho conhecido das subidas de montanha, as reais culpadas do meu vício...prometo as fotos. Lembro da restauração do Copersucar, feita pelo conhecido do site. Ufa, ele me autoriza a entrar no templo....

Já tinha me apresentado, lá fora, ao Paulo, um cara simpaticíssimo que me pediu mil desculpas por não ter uma credencial para mim, já que havia me convidado. Quando me vê lá dentro, sorri, e como bom gaúcho solta um "Guri, que bom que conseguiste entrar". Imediatamente saco a velha máquina, e "vamos tentar registrar tudo que pudermos....."

terça-feira, 19 de maio de 2009

O paraíso Vemaghiano




Entrei, olhei, olhei...era muita tranqueira.....mas naquele momento meus olhos apenas brilharam para a carretera.......a data: 16 de setembro de 2006. Não percebera antes, mas era meu aniversário..

Acabei naquele dia adquirindo duas RX, uma 180cc e uma 125, por um valor interessante(estão sendo devidamente restauradas). Na saída, do lado de fora da oficina, junto ao rastro do que fora arrastado à uma caçamba de sucata, achei uma maçaneta de levantar vidros de um 64...levei como troféu, imaginando que ali começara a montar o meu dkw...

Do resto, lembro-me que recebi a resposta, quanto à venda do acervo, de que venderiam sim, desde que tudo. Comecei a imaginar como montaria um consórcio, para que eu pudesse ficar com a carretera...fui à net.

orkut - tinha uma comunidade...entrei...

dkw.com.br - tinha um yahoogrupos...entrei...afinal, eu já tinha uma maçaneta! e estava motivadíssimo a transformá-la em objeto andante...

Liguei para uma amigo que estava trabalhando na restauração do Copersucar. Me indicou a Obvio, sei lá porquê. SAC. Ofereci peças. Resposta: "Deve interessar nosso amigo Paulo Trevisan. Estou indo pra Londres, depois nos falamos". Catso, que Paulo Trevisan?

Na semana seguinte, fui ao ferrovelho que levara a caçamba. Dois chassis picados ao maçarico. Comprei. O vírus estava me contaminando....

Procurei na NET o tal Paulo.....só achei algo sobre uma corrida de kart e um telefone. Liguei. Me atendeu muito bem. Disse que na semana seguinte estaria pela região, testando "um carro". Trocamos e-mails, mandou a foto do tal carro...

Morre o Alemão


Já inconformadamente desistido de minhas tentativas de compra do Puma, encomendei um motor de moto para meu mecânico, a fim de instalar um novo propulsor naquela minha barata do primeiro capítulo. Estava com ela em minha garagem, para desespero de minha ex-mulher, e pretendia ressucitar a gaiola.
Um belo dia, meu mecânico me telefona dizendo que "alguém estava vendendo duas motos do irmão que morrera semanas antes". -"Ligue para ele, ele não deve pedir muito"...

Liguei. Lembro-me que fui educadamente atendido, e do outro lado da linha alguém me explicou mais ou menos aonde era o local, e disse que já estava mesmo indo até ali.

Fui.

Ao chegar ao local, uma camionete me esperava, e ao abaixar o vidro....gelei. A cabeça demorou a processar a informação, mas a conclusão inevitável logo foi - "O seu irmão morreu?" - era o falecido mais gordo ali na minha frente....

Explicações dadas, entrei novamente naquela bagunça de oficina...e desta vez pude sacar a máquina fotográfica...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A desistência

Infrutíferas foram todas as minhas tentativas posteriores ao contato inicial. Tentei voltar a conversar com o "Alemão" para assegurar a compra do puma.

Hora ele não estava, hora mandava voltar depois, hora dizia que só vendia a carroceria, hora que só o carro completo, e assim, por meses, tentei em vão bater o martelo e adquirir aquela carroceria.

Confesso que desisti, mas também não conseguia deixar de pensar naquela carretera, de teto rebaixado e centenas de furos para alívio de peso,(que já confessei anteriormente ser também uma tara minha quando construía peças para meus brinquedos...).

Neste meio tempo, acontecia hora ou outra de ir escutando, em papos com pessoal mais velho, a cada citação da palavra DKW, quando eu perguntava sobre a existência de um tal "Alemão do DKW", histórias e mais histórias daquele que, sei hoje, foi um dos maiores preparadores do Brasil.

Todo o folclore em torno dele apenas me confirmava que aquela conversa inicial não havia sido algum devaneio...

sábado, 4 de outubro de 2008

A oficina do Maurício



Mas o paciente leitor deve estar querendo saber é da maledeta carreteira (ou carretera?), e não das minhas agruras por causa destas tranqueiras de moleque...

Adentrando a Tal oficina do cara, me deparo com:

- Um belcar azul, empoeirado e cheio de inscrições (claro que logo, o mané aqui deduziu ser um carro de corrida);

-uma carroceria verde jogada mais ao canto (a carretera, óbvio!!);

-um monte de peças espalhadas e lixo por tudo quanto era lado: bielas, pistões, cocô de cachorro, etcétera...

-Uma carroceria de Puma DKW branca(que hoje sei que na verdade pertencia ao Pedro Tucci);
-O tal cubo de Fiat que eu estava procurando;

-E nem lembro mais o quê...

Pra encurtar, acabei comprando a peça, batendo um papo com o maluco, e quando contei que era pra uma gaiola, que eu estava fazendo na universidade, que ia ter corrida dali a alguns dias, e mais um monte de assuntos que não vou lembrar agora, ele se empolgo bastante, me contou que era presidente da associação de carrinhos a vela da ilha comprida, que era ex-piloto de dkw, e por fim que se eu quisesse comprar o puma vendia.

Bão, taradão por tranqueiras como sou, saí correndo para consultar meu Sócio Investidor (papai, claro) sobre a compra do Puma.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Como tudo começou

Idos de 2002, praticamente sozinho construí este pequeno automóvel de corridas (a categoria estudantil existe até hoje, sendo a porta de entrada, às vezes de saída, para futuros profissionais da engenharia automotiva brasileira. Neste tipo de competição, ou se aprende muito e apaixona-se, ou desaprende-se e deixa-se tudo de lado...mas em geral, uma vez infectado pelo vírus, nunca mais o sujeito pára de projetar carros.....é o que me ocorreu...)

Tal categoria não precisa ter seu nome aqui citado, tamanha a picaretagem que ocorre hoje...mas esta é outra história, nosso negócio é a carreteira do Maurício...então dedos ao teclado!
Véspera de uma corrida, a minha grande questão era conseguir flanges de rodas traseiras de resistência adequada, preço acessível e menor dimensão possível (MPa/R$/kg), já que a tralha possuía apenas 10 hp (nominais no catálogo, pois duvido que chegassem 9 ou 8 à roda da tranqueira)e a minha barata pesava apenas 140 kg, enquanto a maioria das outras equipes brigava para baixar dos 180 ou 200 kg...como?

Fácil: tubos de 1,2 mm, fora, é claro, do regulamento, e outras mutretinhas (estas sim dentro do regula) como usar inox de alta temperatura nos braços de suspensão -sucata dos gaseificadores do meu pai – aliviar toda quina sobressalente, furar cada peça onde não havia tensão e claro, regime rigoroso (muita cerveja na Unicamp) pra pesar setenta quilos no máximo....só eu cabia no carro, foi feito sob medida...
O taradão por alívios aqui, descobre então que as flanges originais dos Fiat's 147 são pequenas e forjadas (enquanto as do paralelo são fundidas), o que garantiria a mínima resistência com peso adequado.
Passear por ferro-velhos (ou ferros-velhos?) era a saída para encontrar a tão moscabranqueada peça, já que nenhuma autopeças se dispunha a descolar a maldita das forjadas, só fu(n)didas, que me davam agruras só de pensar em utilizá-las e morrer na praia a poucas voltas do final.

Comecei a santa peregrinação, e quando já dava por certa a utilização da peça do mercado paralelo, me veio à memória um duvidoso estabelecimento, (que vou omitir o nome, respeitando outros serviços prestados no futuro...e que na verdade, descobri depois ser um pátio, não ferro-velho) aonde perguntei sobre a existência da malograda.
-Quem te disse que vendemos peças? - argüiu um imundo funcionário lubrificado da cabeça aos pés.
- Foi o Fulano, lá da oficina tal....- respondi prontamente, na certeza que o nome "Fulano" abriria as portas daquele delicioso supermercado...
-Somos um pátio, não vendemos nada aqui!!!! - bradou enquanto praticamente enxotava-me do estabelecimento.
Não entendendo o porquê de tantas peças sobressalentes espalhadas pelos cantos do malogrado "pátio", iniciei minha retirada, já com a certeza da fu(n)dição futura. Neste momento de tristeza e delisusão, um senhor, já de feições bastante consumidas pela experiência, procurou-me e disse possuir o tão raro objeto de meus sonhos.
Acompanhei-o até a sua oficina, a poucos metros dali, aonde havia, na calçada em frente, um chassi enferrujado, jogado às traças que gostam de ferrugem, e no muro lateral era possível ler uma inscrição rabiscada a giz azul: "Alemão DKW" e um número de telefone.
Era o início de minha famigerada busca por este sonho..........................