terça-feira, 7 de outubro de 2008
A desistência
Hora ele não estava, hora mandava voltar depois, hora dizia que só vendia a carroceria, hora que só o carro completo, e assim, por meses, tentei em vão bater o martelo e adquirir aquela carroceria.
Confesso que desisti, mas também não conseguia deixar de pensar naquela carretera, de teto rebaixado e centenas de furos para alívio de peso,(que já confessei anteriormente ser também uma tara minha quando construía peças para meus brinquedos...).
Neste meio tempo, acontecia hora ou outra de ir escutando, em papos com pessoal mais velho, a cada citação da palavra DKW, quando eu perguntava sobre a existência de um tal "Alemão do DKW", histórias e mais histórias daquele que, sei hoje, foi um dos maiores preparadores do Brasil.
Todo o folclore em torno dele apenas me confirmava que aquela conversa inicial não havia sido algum devaneio...
sábado, 4 de outubro de 2008
A oficina do Maurício
Mas o paciente leitor deve estar querendo saber é da maledeta carreteira (ou carretera?), e não das minhas agruras por causa destas tranqueiras de moleque...
Adentrando a Tal oficina do cara, me deparo com:
- Um belcar azul, empoeirado e cheio de inscrições (claro que logo, o mané aqui deduziu ser um carro de corrida);
-uma carroceria verde jogada mais ao canto (a carretera, óbvio!!);
-um monte de peças espalhadas e lixo por tudo quanto era lado: bielas, pistões, cocô de cachorro, etcétera...
-Uma carroceria de Puma DKW branca(que hoje sei que na verdade pertencia ao Pedro Tucci);
-O tal cubo de Fiat que eu estava procurando;
-E nem lembro mais o quê...
Pra encurtar, acabei comprando a peça, batendo um papo com o maluco, e quando contei que era pra uma gaiola, que eu estava fazendo na universidade, que ia ter corrida dali a alguns dias, e mais um monte de assuntos que não vou lembrar agora, ele se empolgo bastante, me contou que era presidente da associação de carrinhos a vela da ilha comprida, que era ex-piloto de dkw, e por fim que se eu quisesse comprar o puma vendia.
Bão, taradão por tranqueiras como sou, saí correndo para consultar meu Sócio Investidor (papai, claro) sobre a compra do Puma.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Como tudo começou

Idos de 2002, praticamente sozinho construí este pequeno automóvel de corridas (a categoria estudantil existe até hoje, sendo a porta de entrada, às vezes de saída, para futuros profissionais da engenharia automotiva brasileira. Neste tipo de competição, ou se aprende muito e apaixona-se, ou desaprende-se e deixa-se tudo de lado...mas em geral, uma vez infectado pelo vírus, nunca mais o sujeito pára de projetar carros.....é o que me ocorreu...)
Tal categoria não precisa ter seu nome aqui citado, tamanha a picaretagem que ocorre hoje...mas esta é outra história, nosso negócio é a carreteira do Maurício...então dedos ao teclado!
Véspera de uma corrida, a minha grande questão era conseguir flanges de rodas traseiras de resistência adequada, preço acessível e menor dimensão possível (MPa/R$/kg), já que a tralha possuía apenas 10 hp (nominais no catálogo, pois duvido que chegassem 9 ou 8 à roda da tranqueira)e a minha barata pesava apenas
Fácil: tubos de
O taradão por alívios aqui, descobre então que as flanges originais dos Fiat's 147 são pequenas e forjadas (enquanto as do paralelo são fundidas), o que garantiria a mínima resistência com peso adequado.
Passear por ferro-velhos (ou ferros-velhos?) era a saída para encontrar a tão moscabranqueada peça, já que nenhuma autopeças se dispunha a descolar a maldita das forjadas, só fu(n)didas, que me davam agruras só de pensar em utilizá-las e morrer na praia a poucas voltas do final.
Comecei a santa peregrinação, e quando já dava por certa a utilização da peça do mercado paralelo, me veio à memória um duvidoso estabelecimento, (que vou omitir o nome, respeitando outros serviços prestados no futuro...e que na verdade, descobri depois ser um pátio, não ferro-velho) aonde perguntei sobre a existência da malograda.
-Quem te disse que vendemos peças? - argüiu um imundo funcionário lubrificado da cabeça aos pés.
- Foi o Fulano, lá da oficina tal....- respondi prontamente, na certeza que o nome "Fulano" abriria as portas daquele delicioso supermercado...
-Somos um pátio, não vendemos nada aqui!!!! - bradou enquanto praticamente enxotava-me do estabelecimento.
Não entendendo o porquê de tantas peças sobressalentes espalhadas pelos cantos do malogrado "pátio", iniciei minha retirada, já com a certeza da fu(n)dição futura. Neste momento de tristeza e delisusão, um senhor, já de feições bastante consumidas pela experiência, procurou-me e disse possuir o tão raro objeto de meus sonhos.
Acompanhei-o até a sua oficina, a poucos metros dali, aonde havia, na calçada em frente, um chassi enferrujado, jogado às traças que gostam de ferrugem, e no muro lateral era possível ler uma inscrição rabiscada a giz azul: "Alemão DKW" e um número de telefone.
Era o início de minha famigerada busca por este sonho..........................