Colaboradores

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Como tudo começou

Idos de 2002, praticamente sozinho construí este pequeno automóvel de corridas (a categoria estudantil existe até hoje, sendo a porta de entrada, às vezes de saída, para futuros profissionais da engenharia automotiva brasileira. Neste tipo de competição, ou se aprende muito e apaixona-se, ou desaprende-se e deixa-se tudo de lado...mas em geral, uma vez infectado pelo vírus, nunca mais o sujeito pára de projetar carros.....é o que me ocorreu...)

Tal categoria não precisa ter seu nome aqui citado, tamanha a picaretagem que ocorre hoje...mas esta é outra história, nosso negócio é a carreteira do Maurício...então dedos ao teclado!
Véspera de uma corrida, a minha grande questão era conseguir flanges de rodas traseiras de resistência adequada, preço acessível e menor dimensão possível (MPa/R$/kg), já que a tralha possuía apenas 10 hp (nominais no catálogo, pois duvido que chegassem 9 ou 8 à roda da tranqueira)e a minha barata pesava apenas 140 kg, enquanto a maioria das outras equipes brigava para baixar dos 180 ou 200 kg...como?

Fácil: tubos de 1,2 mm, fora, é claro, do regulamento, e outras mutretinhas (estas sim dentro do regula) como usar inox de alta temperatura nos braços de suspensão -sucata dos gaseificadores do meu pai – aliviar toda quina sobressalente, furar cada peça onde não havia tensão e claro, regime rigoroso (muita cerveja na Unicamp) pra pesar setenta quilos no máximo....só eu cabia no carro, foi feito sob medida...
O taradão por alívios aqui, descobre então que as flanges originais dos Fiat's 147 são pequenas e forjadas (enquanto as do paralelo são fundidas), o que garantiria a mínima resistência com peso adequado.
Passear por ferro-velhos (ou ferros-velhos?) era a saída para encontrar a tão moscabranqueada peça, já que nenhuma autopeças se dispunha a descolar a maldita das forjadas, só fu(n)didas, que me davam agruras só de pensar em utilizá-las e morrer na praia a poucas voltas do final.

Comecei a santa peregrinação, e quando já dava por certa a utilização da peça do mercado paralelo, me veio à memória um duvidoso estabelecimento, (que vou omitir o nome, respeitando outros serviços prestados no futuro...e que na verdade, descobri depois ser um pátio, não ferro-velho) aonde perguntei sobre a existência da malograda.
-Quem te disse que vendemos peças? - argüiu um imundo funcionário lubrificado da cabeça aos pés.
- Foi o Fulano, lá da oficina tal....- respondi prontamente, na certeza que o nome "Fulano" abriria as portas daquele delicioso supermercado...
-Somos um pátio, não vendemos nada aqui!!!! - bradou enquanto praticamente enxotava-me do estabelecimento.
Não entendendo o porquê de tantas peças sobressalentes espalhadas pelos cantos do malogrado "pátio", iniciei minha retirada, já com a certeza da fu(n)dição futura. Neste momento de tristeza e delisusão, um senhor, já de feições bastante consumidas pela experiência, procurou-me e disse possuir o tão raro objeto de meus sonhos.
Acompanhei-o até a sua oficina, a poucos metros dali, aonde havia, na calçada em frente, um chassi enferrujado, jogado às traças que gostam de ferrugem, e no muro lateral era possível ler uma inscrição rabiscada a giz azul: "Alemão DKW" e um número de telefone.
Era o início de minha famigerada busca por este sonho..........................